Diversas notícias difundidas nos últimos dias procuram inferir do aumento do número de atendimentos de apoio psicológico realizado pelo Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC) do INEM um aumento do número de suicídios em Portugal. Por serem duas matérias que não podem, neste contexto, ser relacionadas, impõe-se este esclarecimento.
O Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise (CAPIC) foi criado pelo INEM em 2004 para atender às necessidades psicossociais da população e dos profissionais. É formado por uma equipa de psicólogos clínicos com formação específica em intervenção psicológica em crise, emergências psicológicas e intervenção psicossocial em catástrofe.
De entre as atividades desenvolvidas pelo CAPIC consta a teleassistência. Ou seja, intervenção junto dos contactantes do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) em situações de crises psicológicas, comportamentos suicidas, vítimas de abusos/violência física ou sexual, entre outros.
Diversos órgãos de comunicação social publicaram nos últimos dias notícias em que o aumento do número de intervenções era diretamente relacionado com o aumento do número de situações de comportamento suicidário pela população. Ora, por serem duas questões completamente diferentes, não sendo direto este relacionamento, o INEM esclarece o seguinte:
O aumento do número de intervenções do CAPIC é uma realidade e está relacionado com a adoção, em meados do ano passado, de um novo sistema de triagem clínico nos CODU do Instituto, que veio definir de forma criteriosa e homogénea o tipo de chamadas em que o contactante é colocado em contato direto com os psicólogos de serviço. Até então esse encaminhamento era feito com base em critérios de decisão pessoal das equipas de serviço nos CODU, sendo atualmente baseado em algoritmos clínicos de decisão que vieram eliminar a subjetividade da avaliação pessoal.
Ora, como consequência, o número de situações encaminhadas para a equipa de psicólogos do CAPIC aumentou efetivamente. Para além disso, em janeiro de 2012 foi alterado o horário de atendimento do CAPIC, passando o mesmo a estar disponível 24 horas por dia, aumentando assim de forma substancial a sua disponibilidade. E é por isso natural que tenha aumentado o número de atendimentos e também o número de situações por tipologias que recebem este tipo de acompanhamento proporcionado pelo CAPIC.
No entanto, procurar associar este aumento do número de atendimentos com um aumento do número de comportamentos suicidários despoletados pela situação económico-financeira vivida pela população carece de qualquer fundamentação baseada em números concretos. Assim, o INEM não está em condições de fundamentar um aumento de comportamentos suicidários, pois não dispõe de dados suficientes comparáveis em termos temporais.
Eventualmente outras entidades, mais vocacionadas para o tratamento destas matérias, poderão ter dados específicos sobre o assunto em questão. Não sendo o caso do INEM, não se revela assim legítimo a correlação do aumento do número de solicitações do CAPIC com um aumento do número de suicídios, pelo que este Instituto agradece que o presente esclarecimento seja tido em conta pelos órgãos de comunicação social e pelo público.